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Auto-imagem
pode
gerar auto-sabotagem
Por
Bel Cesar
O que mais me impressionou ao refletir sobre auto-sabotagem,
foi observar que ela ocorre quando finalmente
estamos nos sentindo bem.
::
Você já se observou o que
acontece quando nos sentimos bem e os outros não
estão tão bem quanto nós?
:: Será que
a felicidade só existe sob certas condições?
:: Quem dita as
regras de nosso bem estar?
Apenas
poderemos manter nosso bem-estar se soubermos nos manter
atentos e ao mesmo tempo relaxados. A questão
é não perder o contato interno: a percepção
do que necessitamos a cada momento. A auto-percepção
é como uma âncora que nos mantém
atentos às constantes mudanças internas.
O
bem estar verdadeiro surge da confiança de sermos
capazes de nos auto-sustentar continuamente,
mesmo diante situações em que nos tornamos
frágeis e emocionalmente reativos. Nestes momentos,
quando nos confrontamos com nossos bloqueios internos,
gostaríamos de nos manter inocentes: crianças
soltas e irresponsáveis. Isto acontece porque
não estamos familiarizados em lidar com nossas
próprias sombras.
Cada
vez que desconfiamos de nossa capacidade em superar
obstáculos, cultivamos um sentimento de covardia
interior, que bloqueia nossas emoções
e nos paralisa. Muitas vezes não queremos pensar
naquilo que sentimos, pois, em geral, temos dificuldade
para lidar com nossos sentimentos sem julgá-los.
Sermos abertos para com nossos sentimentos demanda sinceridade
e compaixão.
:: Mentir para nós mesmos
Temos
uma imagem idealizada de nós mesmos, que nos
impede de sermos verdadeiros. Produzimos muitas ilusões
a partir desta idealização. Muitas vezes,
dizemos o que não sentimos de verdade. Isso ocorre
porque não sentimos o que pensamos! Algumas de
nossas auto-imagens não querem ser vistas! Por
isso, é imprescindível reconhecer quando
não estamos de fato sentindo o que gostaríamos
de sentir, pois só a verdade nos auto-organiza.
É
nossa auto-imagem que gera sentimentos e pensamentos
em nosso íntimo. Podemos nos exercitar para identificá-la.
Mas este não é um exercício fácil,
pois resistimos em olhar nosso lado sombrio. No entanto,
uma coisa é certa: tudo que ignoramos sobre nossa
parte sombria, cresce silenciosamente e um dia será
tão forte que não haverá como deter
sua ação. Portanto, é a nossa
auto-imagem que dita nosso destino.
O
mestre do budismo tibetano Tarthang Tulku, escreve em
seu livro "The Self-Image" (Ed.Crystal Mirror):
"A auto-imagem não é permanente.
De fato, o sentimento em si existe, no entanto o seu
poder de sustentação será totalmente
perdido assim que você perder o interesse por
alimentar a auto-imagem. Nesse instante, você
pode ter uma experiência inteiramente diferente
da que você julgou possível naquele estado
anterior de dor. É tão fácil deixar
a auto imagem se perpetuar, dominar toda a sua vida
e criar um estado de coisas desequilibrado... Como podemos
nos envolver menos com nossa auto-imagem e nos tornar
flexíveis? Somos seres humanos, não animais,
e não precisamos viver como se estivéssemos
enjaulados ou em cativeiro. No nível atual, antes
de começarmos a meditar sobre a auto-imagem,
não percebemos a diferença entre nossa
auto-imagem e nosso 'eu'. Não temos um portão
de acesso ou ponto de partida. Mas, se pudermos reconhecer
apenas alguma pequena diferença entre a nossa
auto-imagem e nós mesmos, ou 'eu' ou 'si-mesmo',
poderemos ver, então, qual parte é a auto-imagem".
"A
auto-imagem pode representar uma espécie de fixação.
Ela o apanha, e você como que a congela. Você
aceita essa imagem estática, congelada, como
um quadro verdadeiro e permanente de si mesmo",
explica Peggy Lippit no capítulo sobre Auto-Imagem
do livro "Reflexões sobre a mente"
organizado por seu mestre Tarthang Tuku (Ed. Cultrix).
Para
saber como nos auto-sabotamos, devemos responder a seguinte
pergunta: "O que eu sei de mim mesmo que preferia
não saber?". A resposta desta pergunta
revelará a auto-imagem responsável por
nossos comportamentos repetitivos de auto-sabotagem.
Ao encontrar a auto-imagem que gera sentimentos desagradáveis,
temos a oportunidade de purificá-la em vez de
apenas nos sentirmos mal.
::
Auto-sabotagem em nossas mudanças profundas
Nós
nos auto-sabotamos quando saímos de nosso propósito
de vida. Cada um tem um propósito na vida e quando
não vibramos de acordo com a intenção
desde propósito nossa vida fica cheia de obstáculos.
Há momentos em nossa vida que reconhecemos estarmos
prontos para dar um novo salto: estamos dispostos a
efetivar uma mudança profunda. Nos lançamos
num novo empreendimento, numa nova relação
afetiva, mudamos de cidade e até mesmo de apelido.
...Mas, aos poucos, nos pegamos fazendo os mesmos erros
de nossa "vida passada". É como
se tivéssemos dado um grande salto para cair
no mesmo buraco.
Caímos em armadilhas criadas por nós mesmos.
Nos auto-sabotamos.
Isso
ocorre porque apesar de querermos mudar nosso inconsciente
ainda não nos permitiu mudar! É aí
que está o que mais precisamos saber: nos informar
para não nos auto-sabotar.
Por
isso, afirme para si mesmo, com determinação,
o que de agora em diante o seu inconsciente deve de
fato saber. Enquanto não formos capazes de ver,
de compreender, de perceber nossos desejos e atuar de
modo coerente, cairemos na auto-sabotagem.
::
Reprograme seu insconsciente!
Quais
são as frases que você escutou sobre o
perigo da felicidade?
Em nosso interior escutamos e obedecemos, sem nos dar
conta, ordens de nosso inconsciente emitidas a partir
de frases que escutamos inúmeras vezes quando
ainda éramos crianças. Toda família
tem as suas...
Por exemplo: "Não fale com estranhos"
é uma clássica. Como a nossa mente foi
programada a não falar com estranhos, cada vez
que conhecemos uma nova pessoa nos sentimos ameaçados.
Uma parte de nosso cérebro nos diz: "abra-se"
e outra adverte "cuidado".
Num
primeiro momento o desafio em si é encorajador,
por isso nos atiramos em novas experiências e
estamos dispostos a enfrentar os preconceitos. No entanto,
quando surgem as primeiras dificuldades que nos fazem
sentir incapazes de lidar esse novo empreendimento,
reconhecemos dentro de nós, a presença
desta parte inconsciente que discordava em que nos arriscássemos
a mudar de atitude: "Bem que eu já sabia
que falar com estranhos era perigoso".
Muitas vezes o medo da mudança é maior
do que a força para mudar. Por isso, enquanto
nos auto-iludirmos com soluções irreais
e tivermos resistência em rever nossos erros e
aprender com eles, estaremos bloqueados. Desta forma,
a preguiça e o orgulho serão expressões
de auto-sabotagem, isto é, de nosso medo de mudar.
Dificilmente percebemos que nos auto-sabotamos. Nos
auto-iludimos quando não lidamos diretamente
com nosso problema raiz. Não é fácil
perceber que a traição começa em
nós mesmos, pois nem nos damos conta de que estamos
nos auto-sabotando!
Por
Bel Cesar
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