Por que o Medo da Mudança é Maior do que a Coragem para Mudar?


O que mais me impressionou ao refletir sobre auto-sabotagem, foi observar que ela ocorre quando finalmente estamos nos sentindo bem.

:: Você já se observou o que acontece quando nos sentimos bem e os outros não estão tão bem quanto nós?

 

:: Será que a felicidade só existe sob certas condições? 

:: Quem dita as regras de nosso bem estar?

Apenas poderemos manter nosso bem-estar se soubermos nos manter atentos e ao mesmo tempo relaxados. A questão é não perder o contato interno: a percepção do que necessitamos a cada momento. A auto-percepção é como uma âncora que nos mantém atentos às constantes mudanças internas.

O bem estar verdadeiro surge da confiança de sermos capazes de nos auto-sustentar continuamente, mesmo diante situações em que nos tornamos frágeis e emocionalmente reativos. Nestes momentos, quando nos confrontamos com nossos bloqueios internos, gostaríamos de nos manter inocentes: crianças soltas e irresponsáveis. Isto acontece porque não estamos familiarizados em lidar com nossas próprias sombras.

Cada vez que desconfiamos de nossa capacidade em superar obstáculos, cultivamos um sentimento de covardia interior, que bloqueia nossas emoções e nos paralisa.

Muitas vezes não queremos pensar naquilo que sentimos, pois, em geral, temos dificuldade para lidar com nossos sentimentos sem julgá-los. Sermos abertos para com nossos sentimentos demanda sinceridade e compaixão.

:: Mentir para nós mesmos

Temos uma imagem idealizada de nós mesmos, que nos impede de sermos verdadeiros. Produzimos muitas ilusões a partir desta idealização. Muitas vezes, dizemos o que não sentimos de verdade. Isso ocorre porque não sentimos o que pensamos!

Algumas de nossas auto-imagens não querem ser vistas! Por isso, é imprescindível reconhecer quando não estamos de fato sentindo o que gostaríamos de sentir, pois só a verdade nos auto-organiza.

É nossa auto-imagem que gera sentimentos e pensamentos em nosso íntimo. Podemos nos exercitar para identificá-la. Mas este não é um exercício fácil, pois resistimos em olhar nosso lado sombrio. No entanto, uma coisa é certa: tudo que ignoramos sobre nossa parte sombria, cresce silenciosamente e um dia será tão forte que não haverá como deter sua ação. Portanto, é a nossa auto-imagem que dita nosso destino.

O mestre do budismo tibetano Tarthang Tulku, escreve em seu livro “The Self-Image” (Ed.Crystal Mirror):

“A auto-imagem não é permanente. De fato, o sentimento em si existe, no entanto o seu poder de sustentação será totalmente perdido assim que você perder o interesse por alimentar a auto-imagem. Nesse instante, você pode ter uma experiência inteiramente diferente da que você julgou possível naquele estado anterior de dor. É tão fácil deixar a auto imagem se perpetuar, dominar toda a sua vida e criar um estado de coisas desequilibrado…
Como podemos nos envolver menos com nossa auto-imagem e nos tornar flexíveis? Somos seres humanos, não animais, e não precisamos viver como se estivéssemos enjaulados ou em cativeiro. No nível atual, antes de começarmos a meditar sobre a auto-imagem, não percebemos a diferença entre nossa auto-imagem e nosso ‘eu’.
Não temos um portão de acesso ou ponto de partida. Mas, se pudermos reconhecer apenas alguma pequena diferença entre a nossa auto-imagem e nós mesmos, ou ‘eu’ ou ‘si-mesmo’, poderemos ver, então, qual parte é a auto-imagem”.

 

:: Auto-imagem

“A auto-imagem pode representar uma espécie de fixação. Ela o apanha, e você como que a congela. Você aceita essa imagem estática, congelada, como um quadro verdadeiro e permanente de si mesmo”, explica Peggy Lippit no capítulo sobre Auto-Imagem do livro “Reflexões sobre a mente” organizado por seu mestre Tarthang Tuku (Ed. Cultrix).

Para saber como nos auto-sabotamos, devemos responder a seguinte pergunta: “O que eu sei de mim mesmo que preferia não saber?“. A resposta desta pergunta revelará a auto-imagem responsável por nossos comportamentos repetitivos de auto-sabotagem. Ao encontrar a auto-imagem que gera sentimentos desagradáveis, temos a oportunidade de purificá-la em vez de apenas nos sentirmos mal.

 

:: Auto-sabotagem em nossas mudanças profundas

Nós nos auto-sabotamos quando saímos de nosso propósito de vida. Cada um tem um propósito na vida e quando não vibramos de acordo com a intenção deste propósito, nossa vida fica cheia de obstáculos.

Há momentos em nossa vida que reconhecemos estarmos prontos para dar um novo salto: estamos dispostos a efetivar uma mudança profunda! Nos lançamos num novo empreendimento, numa nova relação afetiva, mudamos de cidade e até mesmo de apelido.

…Mas, aos poucos, nos pegamos fazendo os mesmos erros de nossa “vida passada”. É como se tivéssemos dado um grande salto para cair no mesmo buraco. Caímos em armadilhas criadas por nós mesmos. Nos auto-sabotamos.

Isso ocorre porque apesar de querermos mudar, nosso inconsciente ainda não nos permitiu mudar! E, é aí que está o que mais precisamos saber: nos informar para não nos auto-sabotarmos.

Para isso, afirme para si mesmo, com determinação, o que – de agora em diante – o seu inconsciente deve (de fato) saber. Enquanto não formos capazes de ver, de compreender, de perceber nossos desejos e atuar de modo coerente, continuaremos caindo na auto-sabotagem.

 

:: Agora, reprograme seu inconsciente!

Quais são as frases que você escutou sobre o perigo da felicidade?

Em nosso interior escutamos e obedecemos, sem nos dar conta, ordens de nosso inconsciente emitidas a partir de frases que escutamos inúmeras vezes quando ainda éramos crianças. Toda família tem as suas…

Por exemplo: “Não fale com estranhos” é uma clássica. Como a nossa mente foi programada para não falar com estranhos, cada vez que conhecemos uma nova pessoa nos sentimos ameaçados. Uma parte de nosso cérebro nos diz: “abra-se” e outra adverte “cuidado”.

Num primeiro momento o desafio em si é encorajador, por isso nos atiramos em novas experiências e estamos dispostos a enfrentar os preconceitos. No entanto, quando surgem as primeiras dificuldades que nos fazem sentir incapazes de lidar esse novo empreendimento, reconhecemos dentro de nós, a presença desta parte inconsciente que discordava em que nos arriscássemos a mudar de atitude: “Bem que eu já sabia que falar com estranhos era perigoso”.

 

:: Xô medo!

Muitas vezes o medo da mudança é maior do que a força para mudar. Por isso, enquanto nos auto-iludirmos com soluções irreais e tivermos resistência em rever nossos erros e aprender com eles, estaremos bloqueados. Desta forma, a preguiça e o orgulho serão expressões de auto-sabotagem, isto é, expressões do nosso medo de mudar.

Dificilmente percebemos que nos auto-sabotamos…

Nos auto-iludimos quando não lidamos diretamente com nosso problema raiz. Não é fácil perceber que a traição começa em nós mesmos, pois nem nos damos conta de que estamos nos auto-sabotando!

 

Texto de Bel Cesar

 

Comentários

Uma ideia sobre “Por que o Medo da Mudança é Maior do que a Coragem para Mudar?

  1. RESUMIR EM UMA UNICA PALAVRA:MARAVILHOSA LEITURA,COMO,UMA CAMINHADA A BEIRA DA PRAIA AS SEIS DA MANHA,SO PRA OUVIR O DOCE BALANÇAR DAS ONDAS,NAO TEM PREÇO,PODER LER,O QUE SE GOSTA,ENTAO OBRIGADO

    ivone

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