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A
alternativa de saúde de Patrícia Travassos
Valorizando
o autoconhecimento
Apresentando o Alternativa Saúde, da GNT, há quase 4 anos, a atriz
Patrícia Travassos ficou surpresa quando foi convidada para
fazer um programa de saúde. Desde muito nova estudava sobre
as novas formas de bem-estar, e tinha paixão pela medicina
oriental, que rendeu até uma viagem para a Índia nos anos
setenta.
A paixão pela medicina oriental e alternativa é um lado
seu que não é público, mas os amigos que a conhecem acharam
que ela era a pessoa certa para apresentar um programa sobre
saúde. "Eu tenho um pé nessa coisa alternativa. Mas
essa palavra alternativa já me cansou também. Parece amizade
colorida, produção independente, essas coisas inventadas
pela mídia.
Não acho que é alternativa, é apenas uma maneira mais holística
de encarar a saúde, vida, trabalho, enfim, tudo, não é uma
coisa separada", conta Patrícia Travassos.
Sua adolescência, vivida nos anos 70, foi permeada de muitas
informações vindas do Oriente; a moda era indiana, trabalhava-se
a expressão corporal e a prática de meditação, desestruturando-se
um conceito que se tinha, como amigos morando juntos, macrobiótica,
drogas, liberdade sexual, era tudo mais aberto. Patrícia
explica sua relação com o trabalho desenvolvido há 4 anos
no programa Alternativa Saúde que ocorreu devido a essa
herança da sua geração e do lado pessoal.
Aos sete anos de idade a atriz parou de comer carne e isso
foi incentivado por um casal amigo da família que era vegetariano.
"Eu tinha uma empregada adventista que achava aquilo
uma ação divina e começou a me aplicar na soja, que nem
se ouvia falar na época. E, para afirmar minha escolha,
passei a comer todos os legumes, mesmo os que não gostava.
Quando se começou a falar da alimentação natural eu já estava
fazendo há muito tempo, mas nunca fui macrobiótica",
conta Patrícia.
Mesmo nunca seguindo a macrobiótica, a atriz ressalta a
importância de se ter uma alimentação espontaneamente mais
sadia. "Não sei se o que é saudável e nutritivo para
mim, será para outra pessoa. Tem gente que tem necessidade
de carne; as pessoas é que devem saber o que é bom e faz
bem para elas. Para um o balé clássico é legal e leva a
um nível de consciência; para outro o samba faz o mesmo
efeito. Não tem muito parâmetro, tudo é preconceito. Cada
um tem que achar o seu caminho", avalia a apresentadora.


" Você vai entrando neste canal, mas eu não sou só
isso. Eu estudei em colégio de freiras, gosto de pintar
unha de vermelho, de comer brigadeiro..."
Essa
sua preocupação com a saúde ganhou mais vigor depois de
sua ida à China, onde viu de perto pessoas sendo operadas
de tireóide e problemas cerebrais com a técnica tradicional
chinesa da acupuntura. "Eu vi e aquilo era real, não
é místico, nem mágico, é uma medicina tradicional",
afirma Patrícia.
Assim como a acupuntura e o shiatsu, a moda naquela época
era fazer expressão corporal, terapias que têm a ver com
pai e mãe e espiritualidade. "Uma coisa puxa a outra.
Você vai entrando neste canal, mas eu não sou só isso. Eu
estudei em colégio de freiras, gosto de pintar unha de vermelho,
de comer brigadeiro, de sorvete, de refrigerante e cerveja
eventualmente. Eu só faria a macrobiótica num momento assim
extremo, no caso de uma doença em que isso fosse necessário
para a cura."
Até a opção pelo vegetarianismo em mais de 41 anos, foi
questionada por um médico em uma consulta este ano. O fato
de não comer nenhum tipo de carne, segundo o médico, poderia
ser um hábito não tão sadio e quem sabe poderia ser repensado.
"Tentei comer uns peixes quando estava viajando com
a peça "Cinco vezes comédia", pois é difícil ser
vegetariano viajando. Você acaba comendo massa, pão, batata
e engorda. A dieta vegetariana acaba nem sempre sendo sadia.
Pensando nisso comecei a comer peixe, mas descobri que não
gosto mesmo! Quando faço o pedido peço o peixe com pouco
gosto e camuflado com molhos."
"
Eu sempre tento encaixar em meu cotidiano alguma prática
de autoconhecimento, que acredito ser mais importante do
que uma ginástica."
Patrícia
malha igual a todo mundo, entra em uma atividade e sai de
outra. Se diz meio calabresa meio mozarela. Tem fases de
academia, de musculação, outra de alongamento, hidroginástica.
"Eu adoraria dançar, curto muito dança de salão, mas
é difícil incluí-la em minha rotina. Além disso, estou fazendo
um trabalho chamado Cunier, uma técnica tibetana de meditação,
um yoga tibetano, que é um trabalho de autoconhecimento.
Eu sempre tento encaixar em meu cotidiano alguma prática
de autoconhecimento, que acredito ser mais importante do
que uma ginástica."
O tempo vem sendo considerado no mundo moderno o inimigo
número um das pessoas. Isso se deve a falta de tempo que
as pessoas têm para realizar tantos projetos, trabalhos
e atividades de lazer. Mas, segundo Patrícia Travassos,
existe um outro inimigo, que é a nossa dispersão. "Somos
dispersos, preguiçosos, e nos boicotamos. Poderíamos fazer
o tempo render mais se tivéssemos mais concentração. Eu
percebo que disperso muito minha energia, que podia estar
organizando melhor o meu dia, mais isso está sendo trabalhado
em mim. O tempo é meio elástico, já reparou que quando você
está atrasado todos os sinais fecham? E quando não está
atrasado todos abrem?

Quanto mais você fica com aquele mantra interno: Eu não
tenho tempo, eu não tenho tempo..., acaba acontecendo."
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A
maturidade e a sexualidade de Patrícia
Uma
receita de saúde
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::
Cuidando de sua saúde
Varia. Faz um pouco de tudo! Tem uma terapeuta de floral
em São Paulo que adora e quando está na cidade se trata
com ela. Confia no trabalho de uma homeopata, de seu ginecologista
e um endocrinologista que são "normais".
"Todos acabam sendo apresentados no programa, que funciona
como uma clínica geral. Mas quando surge alguma coisa mais
séria é só sondar todos eles. Todas as pessoas hoje têm
um pé na homeopatia, porque já viu que é muito mais legal.
Mas tem horas que você quer tomar um antibiótico para uma
infecção maior. Mais para trabalhar a sua energia, se anda
muito ansioso, estressado, de repente você descobre um remédio
que afina seu instrumento."
:: Uma leitura dos acontecimentos
Patrícia descobriu que tinha uma bagagem grande nesta área
depois que começou a apresentar o programa, porque foi trazendo
todo um conhecimento que ela tinha de livros, de pessoas,
terapeutas, caminhos que já tinha feito por causa da sua
opção por uma vida mais saudável. "Eu não me dava conta
de que sabia tanto sobre saúde "alternativa",
pois sou uma amadora, diria uma curiosa com certo embasamento."
A atriz acredita que é uma grande responsabilidade falar
do tema saúde, pois ele inclui cura, doença, mudança de
hábito, filosofia de vida e que as pessoas estão muito ávidas
por isso. E como não tem nenhum programa do gênero é o maior
sucesso! O programa Alternativa Saúde, da GNT, tem uma característica
que poucos têm: ele é visto por pessoas de todas as idades.
"O que ocorre é que até os 18, 20 anos todos nós pensamos
que somos imortais, quando chega lá pelos 50 começam as
preocupações com a saúde. Eu vejo o meu filho de 10 anos,
ele acredita que é completamente imortal!"
A
relação com a maturidade e a sexualidade
A apresentadora conta que outro dia estava
olhando umas fotos de família e deparou-se com uma foto
ao lado de sua mãe, que tinha a mesma idade que ela tem
hoje. Segundo Patrícia, foi engraçado porque ela era aquela
senhora gordinha, com o cabelinho misanfly e vestidinho
estampado. "Nós não somos assim, eu continuo igual
a alguns anos atrás, só que com mais experiência, com mais
noção de quem eu sou, de onde eu quero ir. Tem um lado bem
mais seguro, legal internamente."
Para ela, a sexualidade também passa por essa maturidade;
questões como ter objetivos mais delineados. "Não é
qualquer loirinho de olho azul que você vai achar que é
o máximo. Já se tem um discernimento maior, não existe tanta
carência. Além de você não entrar tanto em roubada! Acho
que homens e mulheres que com essa idade ainda entram em
furadas é porque ainda são imaturos emocionalmente, por
isso a sexualidade vai direto, fica tudo colo, ninguém quer
ficar sozinho."
:: Quem sabe faz a hora, mas também espera ela fluir
A atriz se diz uma pessoa cheia de planos. Mas conta que
se for fazer uma historinha da sua vida, ela não será apontada
somente pelos seus planos. "As oportunidades vêem do
nada. Porque comigo é assim, as coisas fluem, acontecem.
Agora, estou escrevendo, desenvolvendo coisas mais para
a minha linha do humor mesmo."
Em turnê com a peça, Cinco vezes comédia , atua em um monólogo,
interpretando um personagem que ela mesma escreveu: uma
mulher, roteirista de TV, com um filho adolescente, um ex-marido,
o atual namorado. "É como se eu tivesse entrado no
buraco da fechadura da vida de uma mulher. Hilária, porque
ela fala uma coisa e faz outra, acha que está bem, mas está
mal. Toda a contradição das pessoas, no caso uma mulher
na meia-idade. Tem uma imaturidade dentro da maturidade
e muitas mulheres se reconhecem nela."
:: Autoconhecimento: receita de saúde de Patrícia
Travassos
A responsabilidade é nossa, a vida é sua. O único caminho
quando se chega aos cinqüenta é que a gente chega sozinho
e vai embora sozinho. O autoconhecimento é fundamental!
Se conhecer não significa dizer eu gosto de amarelo, de
azul, de comer pudim de leite. É conhecer do que a gente
é feito, o que é o ser humano, o que nós estamos fazendo
na Terra, para onde a gente vai, porque nosso comportamento
é assim, porque eu sinto isso ou preciso daquilo.
Eu estava entrevistando agora um mestre Tao, e falávamos
sobre essa globalização de informações de autoconhecimento,
não diria espiritual, porque senão a gente fica jogando
lá para o céu, nas imagens, no impossível e invisível. E
na verdade é aqui dentro, é um patamar de consciência, isso
é espiritualidade. Eu espero que no futuro a gente comece
a meditar no primário, pois nós temos que aprender a trabalhar
em algum nível o eu, o silêncio, o ficar quieto consigo
mesmo.
Apesar de ser uma busca individual, em que é necessário
fazer várias curvas na sua espiral para chegar lá, acredito
que se nós tivéssemos um pensamento mais filosófico, menos
materialista e mais em contato com esse eu interior, com
certeza seríamos mais felizes, mais calmos, menos agressivos.
Estaríamos em contato com alguma força aqui dentro que é
o que chamamos de Deus, espírito, consciência suprema, enfim,
trezentos mil nomes, alguma coisa que não é esse videoclipe
que vivemos.
Mariana
Monteiro
www.maisde50.com.br
Abaixo
estão as matérias e entrevistas especiais
com pessoas especiais

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